Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

ANO 20 • • Nº 38

ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PSICANALÍTICA DE PORTO ALEGRE

Porto Alegre | RS

Um olhar para as ações da SPPA junto à comunidade, em tempos de pandemia

  • O físico e escritor Marcelo Gleiser foi o convidado do Café Literário de setembro

“A Diretoria de Divulgação e Ações junto à Comunidade chega ao fim de sua gestão com uma sensação de dever cumprido. Ainda que tenhamos sido atropelados por uma pandemia que teima em não acabar, após mais de quarenta quarentenas, o trabalho, em sua maior parte on-line, pôde ser realizado de forma séria, contínua e criativa, contribuindo para manter a SPPA sólida e pujante”, avalia o diretor Emílio Salle. O trabalho com a comunidade manteve-se dentro do duplo eixo, através das ações solidárias (Acolhimento Solidário dirigido à população em geral) e das parcerias SPPA/SMED (Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre) e SPPA/Projeto Pescar.

O Acolhimento Solidário, um projeto da SPPA feito em conjunto com outras 14 instituições de saúde mental no Rio Grande do Sul, ofereceu acolhimento gratuito à população por meio das chamadas “conversas qualificadas”, entrevistas individuais com o objetivo de abordar angústias e dilemas relacionados à pandemia. A SPPA está iniciando uma parceria com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), por meio da Diretoria da Infância e Adolescência, dando apoio ao programa “Pode Falar”, um canal de ajuda em saúde mental destinado aos adolescentes entre 13 e 24 anos.

A parceria SPPA/Projeto Pescar seguiu com suas atividades, ampliando o atendimento oferecido aos educadores sociais do Projeto Pescar, agora para todo o Brasil, por meio das Rodas de Conversa no formato on-line. A parceria SPPA/SMED deu continuidade às Rodas de Conversa, também de modo on-line, junto aos Fóruns Municipais de Educação e através da retomada do trabalho com os educadores da SMED.

O Café Literário da Psicanalítica, em agosto, teve como tema a obra As mais belas coisas do mundo, de Valter Hugo Mãe, com a participação da professora de literatura e doutora em teoria literária Fernanda Borges e do psicanalista Paulo Berél Sukiennik. Trata-se de um conto poético, delicado e sensível, que, a partir de uma perspectiva infantil, valoriza as vivências afetivas para a constituição do sujeito, levando o leitor a refletir sobre os valores da vida e sobre a importância dos afetos e dos cuidados familiares. Durante a discussão, foi abordado o papel do psicanalista que “abraça” os pacientes, auxiliando-os a pensar e a aprender com a experiência.

Em setembro, participou do Café Literário o físico e escritor Marcelo Gleiser, que comentou seu livro A simples beleza do inesperado, com a psicanalista Viviane Sprinz Mondrzak. A conversa abordou questões relacionadas à descoberta do inesperado e do mistério, além da imersão no mundo natural como um portal de entrada para a busca de si mesmo. Marcelo, em sua simplicidade, enfatizou que se trata de um livro sobre o conhecimento. Segundo ele, “considerando as leis atemporais da natureza, existir é ser abraçado pela história. O caminho da vida é a exploração do possível, sendo a ignorância a nossa maior inimiga. É preciso ser humilde, estar aberto para aprender, encarar desafios e repensar a nossa visão do mundo”.

A SPPA, em parceria com a Liga de Psiquiatria e Saúde Mental (UFCSPA e UFRGS) realizou no dia 13 de julho a segunda edição do Conversas Psicanalíticas, que tem como objetivo a discussão informal de assuntos psicanalíticos do interesse dos universitários. A convidada, psicanalista Luciane Falcão, abordou a temática Sobre sonhos em tempos de pandemia. Os sonhos e a psicanálise foram debatidos de forma criativa e descontraída com os mais de 150 participantes, que contribuíram ativamente para a discussão e aprofundamento do tema.

A Diretoria de Divulgação e Ações junto à Comunidade deu continuidade à parceria com a empresa Petra Júnior, composta por alunos de graduação do Instituto de Geociências da UFRGS. A reunião mensal seguiu abordando prioritariamente as angústias e sentimentos relacionados à pandemia. Segundo Renato Piltcher, membro da SPPA, a possibilidade do retorno presencial ao campus universitário, ainda não oficialmente confirmada, trouxe alegres expectativas, mas também sentimentos contraditórios. Muitos admitem terem se adaptado ao modo on-line, afirmando que o retorno exigirá esforços, dispêndio de tempo e afastamento da família de origem.

Em setembro, mais uma edição do Cine ESA: Direito e Psicanálise — parceria da SPPA com a Ordem dos Advogados do Brasil do RS (OAB-RS), por meio da Escola Superior de Advocacia — busca-se fazer uma interface entre aspectos jurídicos e psicanalíticos a partir de algum filme que envolva as duas áreas. Filha de Deus, do diretor Gee Malik Linton, provocou uma interessante discussão sobre os diversos aspectos relacionados aos abusos físico e sexual, religiosidade e sintomatologia psicótica. O psicanalista Paulo Oscar Teitelbaum, representando a SPPA, e o advogado Ricardo Hermany, representando a ESA/OAB, foram os debatedores.