Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

ANO 21 • • Nº 39

ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PSICANALÍTICA DE PORTO ALEGRE

Porto Alegre | RS

Família e Casal

  • Além da psicanálise de casais, comitê dedica muitos momentos a discussões clínicas de atendimentos de família

O Comitê segue sob coordenação da psicanalista Carmem E. Keidann neste biênio de 2022/2023, com as reuniões ocorrendo quinzenalmente às sextas-feiras, às 11 horas da manhã.

Nos encontros, o grupo tem privilegiado a continuidade do estudo da bibliografia correspondente à psicanálise de casais, mas também dedica muitos momentos a discussões clínicas de atendimentos de família. Surgiu o interesse do grupo em estudar as indicações de abordagem de casal e de família, bem como o desejo de aprofundar os conhecimentos sobre casais e famílias com comportamentos intrusivos, abusivos e/ou negligentes.

As participantes do Comitê consideram importante informar aos leitores que esta modalidade de tratamento, a psicoterapia psicanalítica de família e de casal, pode ser indicada naquelas situações em que os casais ou famílias venham apresentando um funcionamento crítico e/ou crônico em que existem recorrentes dificuldades de comunicação e entendimento entre seus componentes, fazendo com que as referidas situações provoquem desgastes e sofrimento.

A indicação dessa modalidade de terapia não impede que algum ou todos os membros do casal e/ou família estejam já em atendimento individual ou sejam encaminhados simultaneamente a um atendimento desse tipo. Ao contrário, é muito positiva a combinação dos dois tipos de terapêutica, pois cada uma possui objetivos bastante diversos: a psicanálise individual busca basicamente uma compreensão e mudanças no que se chama em jargão psicanalítico de “mundo interno” do paciente, tanto na sua forma de ser quanto na de funcionar. Já o atendimento de família e casal objetiva trabalhar as relações entre os membros, compreendendo os aspectos disfuncionais e inconscientes que se estabeleceram nos vínculos, para promover consequentes mudanças na dinâmica e na comunicação entre eles. Isto faz com que particularidades que ficam obscuras em um âmbito individual ou que sugiram impasses ligados às relações interfamiliares possam ser abordados diretamente pelo analista de família e casal. Dessa forma, é possível tornar claro, para cada um e para todos os membros envolvidos nos conflitos, a sua participação na criação e manutenção dos mesmos, permitindo, assim, auxiliá-los a encontrarem formas mais saudáveis de relacionamento ou, em alguns casos mais refratários, a buscar novas possibilidades de configuração familiar.